quarta-feira, 9 de maio de 2007

A Esperança


A concepção de algo requer compromisso e amadurecimento...
Requer disponibilidade, entrega.
Requer convicção e muita Fé.
Compromissos não podem ser negados ou justificados,
Pois são assumidos com o coração e com a alma.

Minha mensagem de hoje
Busca encontrar meu maior tesouro,
Uma das razões de estar aqui,
Aprendendo,
Continuando,
Desapegando...

Minha homenagem é para uma alma especial.
Para uma menina convicta em seus propósitos,
Forte em suas decisões,
Pontual em seu ofício.

Amável em sua vocação,
Honesta em sua responsabilidade,
Digna em suas atitudes...

Parabéns Cacá!!!
Te amo

sábado, 5 de maio de 2007

Verdade


“Não terei medo de ninguém sobre a terra.
Temerei apenas a Deus.
Não terei má vontade para com ninguém.
Não aceitarei injustiças de ninguém.
Vencerei a mentira pela verdade,
e na minha resistência à mentira
aceitarei qualquer tipo de sofrimento.”
(Gandhi)

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Metade

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que minhas atitudes demonstrem aquilo que também sou.
Que minha ignorância permita crescimento e amadurecimento.
Porque metade de mim é vontade e a outra é prudência.


Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que possa cada vez mais olhar nos olhos,
Manter minha convicção e fé diante da vida.
Porque metade de mim é disposição e a outra tentativa.


Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que assuma minhas incoerências e inflexibilidades,
Pois só assim poderei evoluir.
Porque metade de mim é cautela e a outra é risada.


Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que minha riqueza seja atitude da minha alma,
E que ninguém tente me convencer do contrário.
Porque metade de mim é aquilo que acredito e a outra direção.


Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que minhas experiências sejam continuidade daquilo que busco.
Que possa respeitar o tempo, o caminho e minhas companhias.
Porque metade de mim é minha expectativa e a outra a realidade.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que esteja comigo em cada momento, independente daquilo que o outro espera.
Que mantenha meu centro, minha visão e minha dignidade.
Porque metade de mim é compromisso eterno e a outra minha sombra.


Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

Que minha intenção possa refletir e ser vista como minha verdade.
Que meu compromisso esteja implícito em cada toque de acolhimento ou sofrimento.
Porque metade de mim é dureza e a outra eterna leveza.


E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro (grifo meu)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

O Torrão e o Seixo


“O Amor somente a si quer contentar,
Atar alguém ao próprio gozo eterno;
Sorri quando o outro perde o bem-estar,
E, a despeito do Céu, ergue um Inferno.”

William Blake

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Gratidão!




Fervilhei como nunca antes diagnostiquei.
Entrei e nada encontrei.
Ramifiquei, separei
Numerei, Listei
Acumumlei e... soltei!
Na Paz encontrei.
Dadivei e orei.
Assim que definitivamente (me) amei!

Nada como o tempo...

Certa vez percebi que estava prematuro...
Senti que a vida se supera naturalmente
e que o ritmo que queremos nem sempre acontece.

Percebi que a natureza se defaz
quando o movimento ainda é precoce.
Que não adianta acelerar,
nem diminuir.

Certa vez achei que tivesse encontrado...
Feliz me pus a perseguir
e apenas decepção encontrei.
Resignei!

Hoje caminho comigo,
disposto a demonstrar o que tenho,
e de nada adianta mais acelerar.
Quando o caminho é por demais,
Desconfiamos...
Fingimos que não somos nós
e criamos os mesmos personagens para seguir,
Reproduzir!

Apenas sei o quanto fiz,
o quanto faço
e o quanto farei...

Chega de ilusões que travam,
de entornos que demonstram o quanto
não dispostos estamos
e o quanto de inverdade ainda existe.

Insuperável tentação!!!

“Papai, está acontecendo alguma coisa ?”
Com esse questionamento adentrei a sala, meio que sem saber o que responder. Uma inquietação diferente de outras vezes me absorveu. Essa mesma sensação durou alguns poucos instantes, até que uma vontade interna, e já conhecida, me dizia: escreve!!!

Ainda tentei refletir por algum tempo sem muito sucesso, e a mesma sensação tomou conta de meu ser. Era isso mesmo que deveria fazer. Antes porém, resolvi me ocupar com as últimas tarefas diárias e separar as correspondências que havia recebido.

Abri a embalagem da revista que habitualmente costumo assinar e, não por acaso, a matéria mobilizou meus olhos e, principalmente, minha alma. Definitivamente precisava escrever!!!

Algumas cenas, já vividas, tornaram-se presentes ao ler a matéria, bastante interessante, porém também muito conhecida por mim: rupturas, adeus, separação.

Tenho constantemente recebido pessoas em meu consultório que clamam por uma explicação racional das rupturas que passam (ou que deveriam passar). As mais corajosas escutam ao chamado da alma e aderem a um novo script, ainda não muito definido. Porém, a maioria delas continuam a buscar uma saída “plausível”, dentro de uma referência conhecida e insistente. Precisam, e como precisam, de uma boa justificativa para romper com estéreis relações, sejam elas profissionais, afetivas, sociais, pessoais.

Nos últimos dois anos tenho aprendido e compreendido muito acerca de separações. Não por acaso, venho tentando, em minha prática pessoal e profissional, corresponder ao chamado, ao chamado de pessoas inquietas em suas relações e em seus processos pessoais anímicos.

E essa mesma inquietação que me chama ao alcance de outros, faz com que compreenda meu próprio chamado. Também estou aqui, na vida, perguntando e respondendo, movendo-me. Também estou repousando minhas idéias e movimentando minha alma, tal qual em um processo alquímico.

O aprendizado e crescimento tem sido recorrente em meu percurso nos últimos meses. Alguns frutos, que começo a colher, são conseqüências também de uma separação, não menos dolorosa que qualquer outra. Estive casado por quase oito anos, juntos por quase treze e, além da própria união física, outros componentes, principalmente psíquicos, estavam casados comigo. Ainda estou no caminho, em fase de acabamento - que espero que não termine -, buscando compreender e transformar meu caminho. Ademais, escrever e contatar minhas palavras me colocam diante de uma verdadeira catarse, já que outras relações chegaram até mim, algumas já rompidas, outras ainda não. Porém, posso afirmar que a separação coerente, madura, aquela que nos coloca não apenas diante da dificuldade, mas também diante do novo caminho, exige reflexão, paciência, diposicão e muita coragem. Fechar a porta repentinamente não é o caso. Compreender nosso papel existencial e o que estamos fazendo aqui e agora, exige uma demanda que vai além do ego. Resignificar o caminho permite abrir outras portas, penetrar por outros lugares, autorizar outras experiências.

Sofrendo com a nova decepção?
Pratique Ecdise!!!
Como assim???
Ecdise é o esqueleto externo dos artrópodes que precisa ser quebrado periodicamente para que deixe a casca velha e comece a formar outra, mais nova e folgada, para a continuidade de seu desenvolvimento. E romper com a estrutura conhecida e, até então, negada dói. E muito!!! Porém, o sofrimento, e não a dor, está associada as expectativas previamente idealizadas, geralmente associadas a pessoas e/ou situações. A tendência normal, e não natural, é tentar manter, possuir algo, segurar, reter, conservar para que se mantenha eternamente, tal como no início. E esse paradigma pode valer para um parceiro, um emprego, uma rotina, uma situação... E a impossibilidade de manter (em conserva) traz angústia, pois quanto mais tentamos manter aquela situação do jeito que queremos, mais sofremos e nos apegamos. Quando buscamos nos desapegar, fechamos uma porta, mas naturalmente abrem-se outras, que podemos adentrar, com mais maturidade, verdade e criatividade.

Interessante?
Acredito que sim!!!

Lembro-me que durante muitas sessões comentava acerca da impermanência com meus clientes. Muitos deles ficavam estáticos diante dessa realidade. Outros, inquietavam-se ainda mais, tentando, nem que por um instante, atingir com o pensamento tal sabedoria e tranqüilidade (como se fosse possível!!!). Suas queixas, nossas queixas, referem-se, quase que integralmente, aos relacionamentos, principalmente aos relacionamentos afetivos, independente da correlata.

Lendo a matéria a qual me refiro acima, esse mesmo exemplo é usado pontualmente, indicando uma direção a seguir quando a questão são as rupturas, as separações. A impermanência, ou a capacidade em soltar e desapegar, são princípios básicos quando o assunto é relacionamento. Recordo de meu analista me dizendo: “Num primeiro momento relacional, ou numa primeira relação ou casamento, a tendência natural é que se busque no(a) parceiro(a) aquilo que tivemos (ou queríamos ter) em nossas relações parentais... da mesma maneira, a tendência natural é que num segundo momento ou casamento as projeções se tornem menores e busquemos por nós mesmos aquilo que queremos, sem precisar impor, de alguma maneira, ao nosso par...”Isso mesmo!!! Ficar esperando que o parceiro compreenda o chamado é uma grande incógnita. Quantos de nós não temos, ou tivemos, parceiros que se afastam, fisicamente ou não, repentinamente por não se sentirem realizados diante de suas supostas demandas internas, diante de expectativas e de grande carência. Ou de outros que permanecem juntos fisicamente, mas o cotidiano reproduz grande impacto e buscam na periferia outras relações para ficarem mais anestesiados. Conseqüências de uma realidade considerada moderna, aparada em pré-conceitos estéticos que visam à manutenção da sobre-vida, o poder e a perpetuação de desordens afetivas. Realmente parece ser muito mais fácil distanciar-se do que buscar compreensão justa do chamado, da alma. Parafraseando Antônio Machado: “O vento, num dia radioso, certa vez me chamou...” E o chamado é algo sutil, quase que imperceptível, pois a natureza anímica é algo acolhedor e tranqüilo.

Quem ainda não conhece pessoas que perderam repentinamente tudo aquilo que, supostamente, tinham? Ou que adoecem constantemente, criando sintomas, e naturalmente símbolos, pois a realidade anímica não é escutada? Ou ainda aqueles que são tomados por conflitos de ordem interna que comprometem o externo criando desâmino, depressão e cansaço, e naturalmente outros sintomas como irritabilidade excessiva, enxaquecas, infecções repentinas, gastrite, hipertensão, displasias, constipação? “Tornar-se surdo diante dos apelos da alma pode trazer significativas conseqüências até para o organismo”, afirma Joseph Campbell.

Pois bem, as separações são inegavelmente necessárias. Elas fazem parte de um contexto, que habitualmente tentamos negar, mas que se fazem presentes de diferentes maneiras, ora manifestando-se imperceptivelmente, ora mais violentamente. Separar-se de padrões que não nos cabem mais exige coragem, ação do coração, pois o caminho à frente é definitivamente desconhecido. Apegar-se aos rótulos pessoais conhecidos, ou as pseudoidentidades e papéis que o mundo contemporâneo nos pede é manter o controle e o apego, desnecessário a continuidade de nosso caminho. É se iludir com a falsa liberdade, muitas vezes conhecido como emprego, dinheiro, bens e casamento. A alma negada sempre encontra um local para tocar.

Alberto Caeiro talvez dissesse:

“... O que nós vemos das coisas são as coisas.
Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores os penitentes convites de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores...”

Bom, preciso ir, tenho mais relações a continuar...