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ENCONTRE-SE ANTES DE ENCONTRAR O AMOR!

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Recorrentemente, sou procurado por pessoas que trazem como queixa seus relacionamentos amorosos. Após algum tempo de relação – já quando a flecha de Eros perdeu a validade – relatam sentirem-se sozinhos, infelizes, insatisfeitos, convenientes, incapazes, inseguros, entre tantos sentimentos implicados no contato com o outro. Geralmente, reiteram relacionamentos abusivos, com alto impacto individual tamanho a intensidade das emoções vividas. Como que por uma escolha desmedida, na ânsia de completar o que lhes faltam, depositam suas ilusões no outro e se mantem, ambos, presos numa relação vazia, sem complementariedade e sem alteridade, e, em geral, com grande dependência e resistência ao término. Por alguma razão desconhecida, mesmo sentindo-se insatisfeitos e infelizes buscam manter a relação que está fadada ao fim. Mais tarde, quando altamente sofridos e amargurados, se permitem olharem para si mesmos e percebem-se presos numa trama insalubre, difícil de se romper e que, muitas vezes, …
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Regando nosso Jardim...
Num mundo onde somos colocados constantemente à prova; onde os valores materiais suplantam os espirituais, e perdemos a conexão com o sagrado; onde andamos acelerados em busca da próxima meta, seja ela qual for; onde nossos antepassados são deixados relegados a segundo plano como nossos próprios pais; onde as crianças seguem desoladas rumo ao próximo cuidador; onde a reunião familiar já não existe mais e a comunicação emudecida; onde nos resta a conexão é realizado com o que habita fora nós; onde prevalece as crises de ansiedade e das relações amorosas mal sucedidas; onde o privado vira público e entorpece a “normalidade”...
São muitos nossos motivos atuais que nos levam, regularmente, ao desencontro de nós mesmos. Mais do que emantar um novo coro do que acontece ao lado de fora de nossa vida, pois isso se tornaria repetitivo, creio que chegou o momento do questionamento (e reflexão) acerca de quem estamos nos tornando. Agostinho, pensador do século V, também con…

BOAS FESTAS!!!!

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Caros(as) companheiros(as)!
Mais um ano vai chegando ao fim e, com ele, todo percurso que arduamente empreendemos. Caminhos conhecidos, novas experiências, constantes aprendizados... E aqui estamos nós! Nossa vida é assim: uma contínua luta com a totalidade que nos habita, dentro e fora... Ciclos ininterruptos com a intenção de buscarmos novo sentido. Parafraseio Nietzche: "A questão não é qual o sentido da vida, a questão é quantos sentidos você dará a sua vida.”
Sendo assim, minhas palavras buscam o meu próprio sentido, tudo aquilo que mais valorizo em meu percurso e que não seria possível sem sua existência. Talvez, minha sincera alegria e profunda gratidão possam representar essas poucas palavras que, com sentido, aqui escrevo.
Vivemos momentos de grandes instabilidades no transcorrer do ano. Nosso país passou, e ainda passa, por um importante processo de transformação, incluindo o cenário político-econômico. Porém, como poucos dizem, é exatamente na crise, ou caos, que alavanca…

Para estar com o outro - Parte 1: A (des)construção da confiança

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Adentrei propositalmente o ambiente. Havia um alegre sussurro por lá. As mesas estavam dispostas uniformemente. Uma suave música tentava chamar os clientes para além de suas próprias vozes. E. também, havia o cheiro. Por sorte sobrara uma mesa, sincronicamente esperando por mim. A vista era fantástica, permitia-me ver a todos. Porém, desta vez, estava concentrado em mim, afinal estava sozinho. Não me demorei em escolher meu prato, tamanho o desejo de meu corpo. Tristemente meus olhos percorreram novamente o ambiente e lembrei-me de conversas com meus pacientes, onde salientava a importância da solitude. Lá estava eu novamente... Contatei meu celular e logo estava lendo uma interessante crônica onde falava da construção amorosa. Estava envolvido com a repercussão do tema após uma longa conversa no dia anterior. Algumas interessantes vontades começaram preencher espaço dentro de mim a cada novo parágrafo que lia. Entre um espaço e outro, permitido pela leitura, vozes ao meu lado se fazi…

Perda Inexiste!

Faz alguns anos que me afastei propositalmente de meus escritos, afastando-me, assim, de mim mesmo. Hoje, por alguma interessante razão, o dia amanheceu diferente, mesmo eu abominando as temperaturas mais frias do ano. Logo percebi que voltaria a escrever, o que faço agora...
É redundante dizer que as experiências nos trazem amadurecimento... Porém, os últimos anos constataram veemente essa premissa: algo em mim cresceu diferente! Com caráter singular tomou forma distinta, nada anódino e absolutamente não-insípido. Sempre é muito complexo definir um sentimento por inteiro... 
Rico, porém, é percebê-lo por entre os dedos: um interstício. Percebê-lo entre algo que paira como sonho e o que se mostra tragicamente na realidade. Percebê-lo como algo que desvela no instante súbito entre a imaginação e a ação. Sendo assim, aquilo que se quer e o que, de fato, se é. Lembro-me de Fernando Pessoa:
"O que me dói não é  O que há no coração

Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão... 
São as form…

Necessária Tristeza!

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Foi assim que adentrou em minha sala: introspectivo, cabisbaixo, sem conseguir olhar para mim. Em poucos segundos estava chorando, profundamente. Choro sentido! Dor. Tentou aos poucos me olhar, talvez com a menção de me explicar algo. Nunca havia acontecido isso... Até que por fim fitou e sussurou: - Acho que estou depressivo. Perdi a vontade de tudo... Novo silêncio. As lágrimas buscando espaço em sua face sentida. Suas mãos iam constantemente ao encontro de um novo lenço de papel, depositado na mesinha ao seu lado. Tentou novamente: - Algo está acontecendo... por isso resolvi vim à análise hoje. Fazia questão de tentar explicar-me. Fiquei olhando-o fixamente. Busquei sentir sua respiração para que pudéssemos respirar juntos. E permiti lhe dizer: - Aproveite o que está vindo. Permita-se... Novo silêncio. Ao sentir permissão em minhas palavras respirou profundamente, como se sentisse certa consonância comigo. Seu choro havia ficado mais forte, sua dor mais profunda. Algo ainda não me agrada…

Tristeza

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Você, que diz que, se pudesse, trocaria seu nome por melancolia, você me pergunta sobre as razões da tristeza. Me pergunta mais: sobre as razões por que há pessoas que se emocionam com coisas pequenas - as outras nem ligam e até riem da sua sensibilidade -, o que lhe dá uma tristeza ainda maior, a tristeza da solidão.

Olhe, há tristezas de dois tipos. Primeiro, são as tristezas diurnas, quando o mundo está iluminado pelo sol. Tristezas para as quais há razões. Fico triste porque o meu cãozinho morreu, porque meu filho está doente, porque crianças esfarrapadas e magras me pedem uma moedinha no semáforo, porque o amor se desfez. Para essas tristezas há razões. Quem não sente essas tristezas está doente e precisaria de terapia para aprender a ficar triste. Tristeza é parte da vida. Ela é reação natural da alma diante da perda de algo que se ama. O mundo está luminoso e claro - mas há algo, uma perda, que faz tudo ficar triste.

Segundo, são as tristezas de crepúsculo. O crepúsculo é triste,…