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Aniversário! Minha mãe me ensinou que não é polido perguntar às pessoas sobre a sua idade. Eu lhe perguntei por quê, mas ela não soube me explicar as razões. Nunca consegui entender esta regra da etiqueta pois não podia ver mal algum em querer saber sobre os anos de vida que uma pessoa acumulou. Foi só há umas poucas semanas que compreendi as boas razões que se escondem atrás deste tabu. E que qualquer que seja a resposta, ela é sempre mentirosa. Mesmo quando a conta está certa. Pois é assim que se obtém a resposta: somando os anos que já se passaram do ano do meu nascimento até o ano em que estou vivendo. Se digo que tenho 58 anos, este número é obtido pela soma, um a um, dos anos que vão do dia do meu nascimento, em 1933, até hoje. A conta está certa, mas a resposta está errada. Pois 58 anos são, precisamente, os anos que eu não tenho. 58 são os anos que já se passaram, anos mergulhados no passado, anos com que não posso ...

O Segredo do Casamento

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Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue. Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis ...

Rebelião não é luta, é pura compreensão

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Pergunta: Osho, freqüentemente eu ouço você falar sobre rebelião. Os padres e as freiras e os pais que definiram minha educação, agora estão velhos. A maioria já morreu. Parece que não vale a pena rebelar-me contra aquelas pessoas velhas e desamparadas. Agora, eu mesmo sou o padre e as doutrinas. Eu sinto que me rebelar contra qualquer coisa do lado de fora de mim é um desperdício de tempo e esse não é exatamente o ponto. Isso torna a situação muito mais frustrante e embaraçosa. Parece que algo dentro de mim tem que se rebelar contra algo dentro de mim. Eu aceito que não é o meu ser essencial - a face original - que tem que se rebelar. É o self treinado - o subterfúgio. Mas, para me rebelar, eu tenho que usar esse "self" pois ele é o único que eu conheço. Como pode o subterfúgio se rebelar contra o subterfúgio? Osho: A rebelião da qual eu tenho falado não tem que ser feita contra ninguém. Ela não é na verdade uma rebelião, mas somente uma compreensão. Não...

E Deus criou.... a mulher!!!

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Por: Walter Trobesch, do livro: Amor, sentimento a ser aprendido Conta uma lenda que, no princípio do mundo, quando Deus decidiu criar a mulher, descobriu que havia esgotado todos os materiais sólidos no homem. Diante dessa dificuldade e depois de profunda meditação, fez o seguinte: tomou a redondeza da Lua, as curvas suaves das ondas, a terna aderência de uma planta trepadeira, o trêmulo movimento das folhas, a esbeltez da palmeira, a cor delicada das flores, o olhar amoroso da corça, a alegria do raio de sol e as gotas de pranto das nuvens, a inconstância do vento e a fidelidade do cão, a modéstia do lírio e a vaidade do pavão, a suavidade da pluma do cisne e a dureza do diamante, a doçura da pomba e a crueldade do tigre, o ardor do fogo e a frieza da neve. Com essa mistura de ingredientes tão desiguais, criou a mulher e deu-a ao homem. Depois de uma semana, o homem veio e Lhe disse: - "Senhor, a criatura que me destes me faz infeliz: quer toda a minha atenção, nu...

ENCARANDO A PRÓPRIA SOMBRA

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ENCARANDO A PRÓPRIA SOMBRA A maldade está em cada ser humano, diz guru brasileiro CYNTHIA GREINER COLABORAÇÃO PARA A FOLHA Psicólogo que virou guru, o brasileiro Prem Baba está radicado na Índia desde 2002. Mas viaja pelo mundo todo, para participar de encontros que combinam meditação e ensinamentos a seus mais de 5.000 seguidores. Neste mês, está no Brasil. Prem Baba, que segue a tradição Sachcha ("O Caminho do Coração") do hinduísmo, cunhou o conceito de "matrizes do eu inferior" para explicar a maldade humana, os impulsos inconscientes e o autoconhecimento. Em entrevista à Folha, o guru falou sobre o lado sombrio e as fraquezas de todo o ser humano. Não sabemos lidar com nossa própria maldade? Prem Baba - Somos levados a acreditar que a violência só acontece no coração dos criminosos, dos terroristas, mas a maldade está em cada ser humano, dentro de casa, na estupidez ou no desrespeito com o companheiro, com os filhos. Mas...

Meu coração fica junto ao coração dela... - Rubem Alves

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       “ A boca fala do que está cheio o coração” : esse é um ditado da sabedoria judaica, que se encontra nas Escrituras Sagradas. Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para se chegar ao que o coração sente. Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve. Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de onze anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado fico pensando e falando sempre a mesma coisa. A Camila estava na sala da televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: “ Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo eu sofro também. O meu coração fica junto ao coração dela...” Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama “compaixão”. Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer “sofrer com”. Não est...

"Sentir-se amado" - Martha Medeiros

“ Sentir-se amado ” Por Martha Medeiros “O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere c...