“O Amor somente a si quer contentar, Atar alguém ao próprio gozo eterno; Sorri quando o outro perde o bem-estar, E, a despeito do Céu, ergue um Inferno.”
Recorrentemente, sou procurado por pessoas que trazem como queixa seus relacionamentos amorosos. Após algum tempo de relação – já quando a flecha de Eros perdeu a validade – relatam sentirem-se sozinhos, infelizes, insatisfeitos, convenientes, incapazes, inseguros, entre tantos sentimentos implicados no contato com o outro. Geralmente, reiteram relacionamentos abusivos, com alto impacto individual tamanho a intensidade das emoções vividas. Como que por uma escolha desmedida, na ânsia de completar o que lhes faltam, depositam suas ilusões no outro e se mantem, ambos, presos numa relação vazia, sem complementariedade e sem alteridade, e, em geral, com grande dependência e resistência ao término. Por alguma razão desconhecida, mesmo sentindo-se insatisfeitos e infelizes buscam manter a relação que está fadada ao fim. Mais tarde, quando altamente sofridos e amargurados, se permitem olharem para si mesmos e percebem-se presos numa trama insalubre, difícil de se romper e que, muitas veze...
"Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa : "A rosa não tem"porquês". Ela floresce porque floresce." Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. "Eu te amo porque te amo..." - sem razões... "Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo." Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. "Amor é estado de graça e com amor não se paga." Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que "amor com amor se paga". O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Co...
Regando nosso Jardim... Num mundo onde somos colocados constantemente à prova; onde os valores materiais suplantam os espirituais, e perdemos a conexão com o sagrado; onde andamos acelerados em busca da próxima meta, seja ela qual for; onde nossos antepassados são deixados relegados a segundo plano como nossos próprios pais; onde as crianças seguem desoladas rumo ao próximo cuidador; onde a reunião familiar já não existe mais e a comunicação emudecida; onde nos resta a conexão é realizado com o que habita fora nós; onde prevalece as crises de ansiedade e das relações amorosas mal sucedidas; onde o privado vira público e entorpece a “normalidade”... São muitos nossos motivos atuais que nos levam, regularmente, ao desencontro de nós mesmos. Mais do que emantar um novo coro do que acontece ao lado de fora de nossa vida, pois isso se tornaria repetitivo, creio que chegou o momento do questionamento (e reflexão) acerca de quem estamos nos tornando. Agostinho, pensador do século V...